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Cases18/03/2026 · Equipe

Reproduzindo uma peça antiga de máquina industrial

Quando o fabricante não existe mais

A máquina tinha 22 anos. A empresa fabricante fechou. A peça plástica que quebrou — um guia de correia de transmissão — não estava disponível em nenhum fornecedor. O cliente chegou até nós com a peça partida em dois, uma foto e a esperança de não ter que substituir uma máquina inteira por causa de um componente de R$ 40.

Fase 1: Documentação e medição

A engenharia reversa começa com medição cuidadosa. Usamos paquímetro digital e, para os raios internos, um conjunto de gabaritos de raio. A peça tinha 14 dimensões críticas, sendo as mais delicadas os furos de encaixe no eixo (Ø 12 mm com tolerância de ±0,1 mm) e o canal de correia com perfil trapezoidal.

Fotografamos a peça em 6 ângulos diferentes e usamos as fotos como referência visual no Fusion 360 enquanto modelávamos.

Fase 2: Modelagem no Fusion 360

A reconstituição levou aproximadamente 3 horas. As curvas orgânicas da peça original foram feitas com splines ajustadas às fotografias. Os furos foram modelados com folga de −0,1 mm em relação à medição real para compensar a tolerância de impressão do PETG.

Imprimimos um protótipo em PLA primeiro — mais barato, mais rápido — para validar as dimensões. A primeira tentativa ficou 0,3 mm maior no furo principal. Ajustamos o modelo e imprimimos de novo.

Fase 3: Material final — PETG preto

O ambiente da máquina tem temperatura moderada (40-50 °C no funcionamento) e a peça recebe vibração constante. O PETG foi a escolha certa: resistência ao impacto superior ao PLA, tolerância térmica adequada e não creep (deformação lenta sob carga) nas condições de uso.

Imprimimos com 4 perímetros, 40% de infill gyroid e camadas de 0,15 mm para maximizar a resistência. Tempo de impressão: 4h 20min.

Resultado

A peça encaixou no segundo teste. O cliente instalou e a máquina voltou à operação. Acompanhamos o resultado: após 3 meses em uso contínuo, a peça está sem sinais de desgaste.

Engenharia reversa com impressão 3D não substitui peças metálicas de alta carga — mas para guias, carcaças e conectores plásticos, é uma solução real, rápida e acessível.

#cases#engenharia reversa#PETG#industrial